Religiosidade é uma experiência pessoal e a busca por um significado que transcende o material, diferenciando-se da religião (que envolve dogmas e instituições) ao focar na conexão individual com o sagrado, através de práticas, sentimentos e um sentido de propósito, podendo manifestar-se em rituais, orações ou simplesmente na reverência à vida, embora a religiosidade mal direcionada possa levar à hipocrisia ou apego excessivo a regras, distanciando-se do amor e da compaixão, essenciais para uma fé genuína e transformadora.
CRISTIANISMO
Com cerca de 2,4 bilhões de adeptos, seu nome remete ao grego khristós. Refere-se à crença em Jesus Cristo, filho ou representação de Deus em forma humana, cujo nascimento é geralmente associado ao ano 1º d.C. (embora possivelmente tenha surgido por volta de 4 a.C.).
Apesar das divergências entre os cristãos quanto à sua representação divina, a doutrina da Trindade sugere que Jesus significa o “Filho”, em coexistência com o “Pai” e o “Espírito Santo”.
Grande parte dos cristãos também aceita os sacramentos, como o batismo, a eucaristia, a crisma e o matrimônio. A religião cristã tornou-se fundamental para a instituição da Igreja Católica, que serviu de instrumento político-social da Europa a partir do século IV d.C., quando incorporada pelo Império Romano.
No século XI, a Grande Cisma dividiu a religião em católica e ortodoxa, e, a partir do século XVI, surgiram vertentes protestantes que resultaram na criação do luteranismo, calvinismo e anglicanismo.
ISLAMISMO
Aproximadamente 1,9 bilhão de pessoas ao redor do mundo seguem o islamismo, instituído no século VII. A religião baseia-se nas revelações de Alá (Deus, para os falantes da língua árabe) transmitidas ao profeta Maomé e que foram registradas por seus seguidores no livro do Alcorão. Por contrariar as crenças politeístas comuns à Arábia Saudita da época, fugiu da cidade de Meca para fundar a cidade-Estado de Medina, onde reuniu forças para conquistar seu lugar de origem e reunir os povos em uma única religião.
HINDUÍSMO
No mundo há cerca de 1,2 bilhão de praticantes do hinduísmo, uma das religiões mais antigas (senão a mais antiga) da história, que remonta a quase 2000 anos a.C. Considerar o hinduísmo uma religião, no entanto, é discutível, já que, na verdade, ele se refere mais a um conjunto de práticas culturais do que a uma estrutura religiosa. Sua grande concentração se encontra na Índia.
Apesar de haver diversos segmentos do hinduísmo, sua maioria crê no deus criador supremo Brahma, que coexiste com o preservador Vishnu e o destruidor Shiva; ou seja, trata-se de uma crença politeísta, cuja maioria atual, apesar de ser tradicionalmente ritualística, nega a existência de profetas bem como a prática de cultos e outros hábitos comuns das religiões.
Mesmo assim, o hinduísmo se tornou uma forma de identidade nacional ao povo indiano, refletida na figura de Mahatma Gandhi contra a dominação inglesa na primeira metade do século XX.
BUDISMO
Surgido na Índia no século VI a.C., o budismo tem atualmente mais de meio bilhão de adeptos. O budismo remete a Siddharta Gautama, o Buda, que significa “aquele que despertou”. Seu principal diferencial estava na proposta de romper com o samsara, tido como o ciclo eterno de morte e reencarnação. Para tanto, era necessário alcançar a iluminação (nirvana) por meio da meditação em vez de se ater às vontades divinas.
O budismo se expandiu pela Ásia por meio de diversas ramificações e é interpretado, por muitos atualmente, mais como uma filosofia do que uma religião. Apesar de perder sua influência na Índia, foi fortemente adotado na China, Japão, Coreia, Vietnã e Tibete.
SIQUISMO
Aproximadamente 27 milhões de pessoas seguem o siquismo (ou sikhismo) pelo mundo. Fundada por Guru Nanak, na Índia do século XV, propõe que Deus (para eles, chamado de Waheguru) deve ser alcançado não por meio de rituais, mas da prática da justiça social, meditação e honestidade. Esses valores são apreciados pelos siquistas, pois eles acreditam na onipresença de Deus, que, ao rejeitar a estratificação sociorracial da humanidade, assume todas as formas e criaturas do Universo.
JUDAÍSMO
Estima-se que haja 16 milhões de praticantes da religião judaísta, surgida em Canaã, na Palestina, em aproximadamente 2000 a.C. Diz, por meio do livro de Tanach (bíblia hebraica), que o povo judaico está estritamente ligado às primeiras revelações de Deus que conduziram Abraão a se tornar o primeiro patriarca da terra prometida de Israel, seguido por Isaac e Jacó. Este, no entanto, bem como seus descendentes foram escravizados pelos egípcios, cuja libertação só veio a ocorrer por meio de Moisés no episódio conhecido como Êxodo.
Apesar de o Reino de Israel ter sido novamente reestabelecido, ele sofreu invasões que contribuíram para com a dispersão dos judeus pelo mundo. Durante os séculos XIX e XX, milhões de judeus foram exterminados, tanto por meio de pogroms russo-ucranianos como pelo Holocausto nazista. As diferentes divergências em relação às leis judaicas do Torá dividiram a religião entre conservadores e ortodoxos.

Judeus ortodoxos fazendo orações no Muro das Lamentações, em Israel
Apesar de o Reino de Israel ter sido novamente reestabelecido, ele sofreu invasões que contribuíram para com a dispersão dos judeus pelo mundo. Durante os séculos XIX e XX, milhões de judeus foram exterminados, tanto por meio de pogroms russo-ucranianos como pelo Holocausto nazista. As diferentes divergências em relação às leis judaicas do Torá dividiram a religião entre conservadores e ortodoxos.
A RELIGIÃO NO FUTURO
Estima-se que, até o ano de 2050, a religião muçulmana atingirá 2,8 bilhões de adeptos, quase se equiparando aos 2,9 bilhões de cristãos. Em 2070, o número tanto de cristãos quanto de muçulmanos deverá se equiparar, compondo, cada grupo, 32% das religiões mais praticadas do mundo. Levando-se em consideração essa progressão, em 2100, o islamismo será a religião mais praticada do mundo, com cerca de 35% de adeptos.
O ateísmo, conforme sugere a palavra, consiste em se opor ao teísmo. Dessa forma, os ateus são aqueles que negam a existência de entidades divinas. Desde a Antiguidade ou mesmo antes, o ateísmo é praticado tanto subjetivamente quanto por meio de correntes contrárias às instituições religiosas. No entanto, o conceito é mais complexo do que aparenta.
Sua consistência não é homogênea e tem diversos aspectos e motivos. Um deles é a associação com a ética, que se orienta mais aos compromissos do mundo físico, como o exercício de ações com princípios sociais, do que por meio de práticas comuns aos religiosos. Historicamente, tem também relação com as críticas às religiões institucionais, a exemplo da perseguição da Igreja Católica aos intelectuais cientificistas e humanistas.
Pode-se citar também as derivações do ateísmo, como o materialismo — corrente filosófica que urge pela reconfiguração do mundo, mazelado por injustiças sociais e que critica a inatividade religiosa — e o ateísmo metódico — prática científica de “se tornar ateu” ao conduzir uma pesquisa voltada às ciências, à história e a outros ramos de conhecimento, independentemente da fé de seus autores.
